Porquê odiar? Ser invadido por pensamentos e sentimentos mefistofélicos e arrepiantes, querer o mal de alguém «só» porque essa pessoa nos causou sofrimento ou angústia, sem pensarmos, nesse caso, em nós próprios, na solução do nosso problema, a reconstrução que fazemos dos cacos que varremos sem voltar a colar ao corpo mutilado que deixámos para trás como um camaleão que não muda de pele mas a deixa em espessas camadas ao longo do caminho, como sinalização. Não se trata de crescer com o erro, de bater com a cabeça e seguir a sangrar, qual corpo que fica exangue; antes, reerguer os alicerces do eu.
quarta-feira, setembro 19
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1 comentário:
E de que nos vale odiar, ser invadidos por pensamentos e sentimentos mefistofélicos e arrepiantes, querer o mal de alguém? A vida é tão curta! Temos mais é que vivê-la plenamente, aproveitá-la ao máximo, experimentá-la, conduzi-la da melhor maneira, … Possuir a consciência de que não passamos por esta vida em vão, de que fizemos o que, pelo menos, havia a fazer, a dizer, a sentir, e por ai fora… “Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.” (Mário Quintana) Não há dor maior que esta!
A vida é tão cheia de coisas boas (a família, os amigos, um objectivo, um sonho, …) para quê perder tempo nutrindo sentimentos/pensamentos malévolos, nocivos que não nos traz consolo, não nos apazigua, muito pelo contrario, dão à luz outras sensações também elas nefastas: antipatia, raiva, rancor, tristeza, …
O ódio é uma emoção humana normal, faz parte do conjunto de emoções possíveis de serem sentidas e vividas.
Contudo, faço minhas as palavras de Schopenhauer: “Se possível não devemos alimentar animosidade contra ninguém.” O ódio é como o veneno que corrói a alma e o corpo. Destrói aquilo que melhor o ser humano tem.
A este respeito, Arthur Schnitzler escreve que as relações negativas são a maior parte das vezes absolutas e constantes. (Uma obsessão, diria! Um desassossego para a alma e para o espírito.) Entende que, e passo a citar: “O ódio, a inveja e o desejo de vingança têm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovão e os relâmpagos.”
C.C.
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