Linhas. Linhas de mim. Traços que encerram os meus contornos físicos. Porque sou eu quem cessa, não as pessoas. Sou eu que desapareço. Não sei se sei amar; se sinto com as mãos, apenas. Se procuro algo ou se sou procurado. Sei, porque sinto, que a motivação não é em mim que reside. A motivação da minha alma. Sou apenas carcaça. Balanço gingão de pulcritude que fito quando te encaro. Música surda em sorriso aberto. Toca de seda. As surpresas que fazem das nossas vidas pedaços de inevitabilidades. Talvez saiba mesmo. Saiba que o odor a ti me prende como jamais supus que pudesse prender. Que necessito da tua palavra e da tua boca. O teu calor. A tua sensibilidade dócil. A tua infinita capacidade de compreender. A inteligência que és, sentindo com o coração. Primavera. Folha que não cai. Preso. Preso a ti sem cordas. Juntos, é assim que nos quero. Sinto-te. «Preciso-te».
segunda-feira, novembro 26
segunda-feira, novembro 19
Subversão
Sentimentos que se explicam não são sentimentos. São realidades quebradas por momentos inexplicáveis. Um mero frio interior de desconhecimento apioado por uma letargia insane; pavor medonho, como um sono comandado pelo receio sentido quando se teme perder aquilo que não foi conquistado, ainda. Uma mera projecção. O culto do invisível que transpira para lá do membro esfíngico. Uma alegria tímida, exterior. A química entre o nosso corpo e nós próprios. A fusão da alma perene. Confusão de sons imperceptíveis. Cacofonia. Grito estridente de perturbação. Escrever linhas de desespero quando o que submerge sobrevive.
quarta-feira, novembro 14
Doze Linhas
Cada história, cada filme, cada pequeno pedaço de vida sobrecarregado de dor, sofrimento, doença, separação. Morte. Entendemos as grandes obras como legados de experiências que nos magoam profundamente, que nos fazem chorar ininterruptamente até sermos incapazes de decifrar a palavra seguinte, tão embaciado o nosso olho fica. E, no fundo, havendo morte ou reconciliação, superação ou desilusão, sorrimos. Que capacidade tem quem escreveu isto! Mas… porquê? Porque reproduziu o quotidiano? Porque nos deu aquilo que enche e afoga a alma fatalista? Ou porque nos fez perceber, por instantes, breves, que somos apenas humanos? Um mero pedaço daquilo que acabámos de ver ou ouvir. Uma lágrima. Um triste fim.
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