Também observo (no meu caso inúmeros) fenómenos engraçados neste mundo; quando esses fenómenos não têm sentido, deixo-os passar e desejo-lhes uma «boa viagem», seja ela qual for. Por outro lado, existem os que me interessam e que eu agarro com força. Por fim (e sendo necessariamente generalista), há um outro rol de «fenómenos» que me deixam uma sensação jocosa (a roçar a hilaridade) e que eu saúdo quando até mim vêm.
Pois bem, uma vez que «este fenómeno» protagonizado se enquadrou numa dessas classes (e não foi na primeira, pelo que o teria deixado passar...), apraz-me tecer somente um ou outro dito mais aprofundado:
- deprimente seria se esses «superficiais» (que os há) não tentassem fazer algo para se esconderem (no sentido até de se valorizarem) da própria condição, mesmo que sob formas (pretensamente) vazias de conteúdo (e aqui teríamos que «julgar» conteúdos, o que é errado - a meu ver, claro está);
- as palavras eloquentes (que também as há), possuem (tal como as não eloquentes) distintos sentidos e, sobretudo, objectivos. Da mesma maneira que nos sentimentos, na arte, nos sentidos, há o «objecto» e o «espírito» (é como nas Leis do Homem - há o corpo e o espírito da Lei, como seguramente a Anciã saberá), nas e com as palavras o fenómeno é análogo. Deste modo, podemos, sem grande risco, afirmar que nem sempre conseguimos captar a verdadeira essência do que quer que avaliemos, não por incapacidade nossa mas por nos faltar esse tal «espírito» subjectivo. Não é uma limitação, é uma impossibilidade. Daí que haja, muitas vezes, formas escondidas e mensagens subliminares em todos os lados (mormente na arte da escrita, da pintura, até do cinema, da música, etc). As palavras eloquentes e áridas «do» verdadeiro sentido são, sim, as palavras que desdobram os efeitos pretendidos pelo «criador» das mesmas (vulgo crítica fácil, dedilhada a metro);
- uma pergunta introdutória para este derradeiro ponto: de que te serve a (eloquente) humildade? A ti, não ao Mundo; de que te serve? De consolo? De abrigo? Ou será um desejo secreto e muito muito recalcado? Humilde não é aquele que apregoa a humildade ou a falta dela; não humilde não é aquele que a ridiculariza (mesmo que tente) ou que a faça parecer insignificante. Humilde é SÊ-LO. Sem julgamentos de pretensa... humildade.
Serve o presente para, alegremente (sem deixar de agradecer o minutinho que dedicaste ao meu texto), dizer-te que precisavas de «dois minutinhos» para recolheres o seu (mesmo que ínfimo) espírito. O texto que encerrou este meu blog foi (com este já não o é, honra tua) uma apologia; não a mim, não à minha falta de humildade (que não a tenho, ainda assim - no entanto, este não a revela (a falta), de todo). Esse texto, lamentavelmente, é uma dedicação minha a 4 pessoas que desapareceram da minha vida e cuja falta sempre sentirei (com um sorriso no rosto). As últimas linhas, as quais «dediquei» a mim próprio, são indirectamente devidas (por obra de metáforas) as essas pessoas.
A alegoria mestra de todo o texto é revelar que (sempre na minha opinião) somos seres permanentemente incompletos, quer seja nas paixões, nos desejos, nas motivações... Em tudo.
O que nos torna superiores (não em altura, claro) é admitirmos essa condição e lutarmos por/contra ela - seja o conteúdo dessa luta, ou não, vazio. É preferível a luta abnegada por um caminho árido, àquela luta galharda que é realizada com os pés cravados no solo. Talvez seja um mero golpe de humildade, quem sabe.
Pena pena, não é ver desperdício de «tanto palavreado», antes vislumbrar (sob uma luz ténue) um conjunto tão reduzido de palavras cujo objectivo se centrou no egotismo (pessoal, porque até podia ter sido do alheio). Essa foi (é) a demonstração indelével de um desespero bem maior do que a tentativa de escondermos as nossas «formas» sem conteúdo. Nós, aqueles que aprendemos a «ser» com os que nos rodeiam, imperfeitos. Uns que vulgarizam essa nossa imperfeição; outros que a limam e adornam. Num sentido de comunhão.
Nem sempre se é "ancião" neste mundo; raramente conseguimos ser «mais» do que aquilo que verdadeiramente somos. Não pela arrogância (explícita), mas porque «cá dentro» não admitimos quem somos. E isso, é uma doença. Chamada «ser humano».
Com eloquência me subscrevo.
O meu nome.