segunda-feira, novembro 26

Mariposa

Linhas. Linhas de mim. Traços que encerram os meus contornos físicos. Porque sou eu quem cessa, não as pessoas. Sou eu que desapareço. Não sei se sei amar; se sinto com as mãos, apenas. Se procuro algo ou se sou procurado. Sei, porque sinto, que a motivação não é em mim que reside. A motivação da minha alma. Sou apenas carcaça. Balanço gingão de pulcritude que fito quando te encaro. Música surda em sorriso aberto. Toca de seda. As surpresas que fazem das nossas vidas pedaços de inevitabilidades. Talvez saiba mesmo. Saiba que o odor a ti me prende como jamais supus que pudesse prender. Que necessito da tua palavra e da tua boca. O teu calor. A tua sensibilidade dócil. A tua infinita capacidade de compreender. A inteligência que és, sentindo com o coração. Primavera. Folha que não cai. Preso. Preso a ti sem cordas. Juntos, é assim que nos quero. Sinto-te. «Preciso-te».

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