terça-feira, outubro 23

Enfermo

Alma calma que mata. Olhar de vento que transporta o que não sente. Lágrima que não cai, insistente. Paradoxo invisível no interior de um corpo mutilado pelo pensamento. Grito velado em rosto de expressão inquieta. O que é incerto? Tudo escrito num código indecifrável. Saber que a prisão do ser livre é sempre preferível à liberdade ilusória daquele que arrasta junto de si os grihões da culpa e do receio. Essa liberdade do rosto que controla o passo. O busto invisível sempre presente. Peito. Encher o peito, nem que não seja de ar. Tomá-lo nas mãos e apertar contra o corpo as suas formas arredondadas. Entumecer essa alma.

2 comentários:

Anónimo disse...

Por vezes gostava de possuir o dom de decifrar todos os teus textos. Não restam dúvidas da tua diferença em relação ao mundo, da tua por vezes indiferença em relação ao que te é alheio. A tua vida tal como os teus texto arriscaria dizer :é uma metáfora.
O bom disto tudo é que todos aqueles que passam pelos teus caminhos ficam mais ricos.
Tu és a diferença. Nua e crua!

Anónimo disse...

«...todos aqueles que passam pelos teus caminhos ficam mais ricos.» Não podia estar mais de acordo! :-)

KISS