quarta-feira, setembro 5

Tempo inimigo

As relações não se medem ao comprimento. Não é por si só salutar aquela união que dura há vinte anos (ou durou um ror de anos). Pode perfeitamente ser menos valorosa - sentido amplo - se comparada com outra que durou apenas três meses, mas em que tudo se disse, tudo se fez e tudo se quis. Tudo? Sim, tudo o que havia para dizer, para fazer. A marca não pode ser deixada em função do tempo, sob qualquer pretexto; antes pela entrega e pelos frutos colhidos da mesma - a aprendizagem. Somos glutões em busca de mais. Ainda que, por vezes, esse «mais» nos retire essência e valentia. O tempo é usurário. E nós, seus cúmplices.

1 comentário:

Anónimo disse...

Como dizes e muito bem, as relações não são estabelecidas em função do “tempo”; se duram muito ou se duram pouco... uma coisa não se confunde com a outra.
As relações são, mais ou menos, consolidadas de acordo com a intensidade com que são vividas, sentidas e, fundamentalmente, partilhadas. Pois, uma relação nunca será uma verdadeira relação se lhe faltar este último ingrediente. Partilhar significa dar. Dar-se ao outro!

C.C.