Os corpos servem para se comerem uns aos outros. Procurar o sossego das nossas vidas no alheio. As veias salientes do órgão entumescido. Como assassinos de almas podres, viver só mais um instante. Aliviar a dor da solidão que não é consciente. O túnel existencial que é o desconhecimento daquilo que é íntimo. A raiva por se ser incapaz. A acomodação por incapacidade. Procura-se permanentemente o que é fácil de atingir. O imediato. E prolonga-se a visão para além do que é visível. O ardor que remete os corpos para o sarcófago da experiência que não corrói as carnes. Elimina as almas. Digere-as. Lambe os beiços e segue, insaciado.
terça-feira, setembro 4
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Um momento de cada vez, um dia de cada vez.Talvez os dias que nos restam sejam poucos para tanto.Mas é por isso que existem sentimentos que têm a grandeza da eternidade.
É na despedida, quando tudo isso acaba, que fica muito por dizer, muito para amar, muito para sugar, muito para entender.
Para além do porto existe um mar, um mar imenso, que nos queima por dentro e nos faz querer muito mais. Que a solidão não seja motivo para nos "comermos". Sejamos mais do que simples e ardilosos exploradores de espécies fracas e vulneráveis. Oh beberões de sangue já coalhado.
Sejamos fortes a ponto de não seguir tendências, sejamos capazes de mudar a triste realidade que teima em nos cercar...
Está na lista daqueles que mais gostei de ler escritos por ti!
muito bom mesmo ;)
C.C.
Enviar um comentário