quinta-feira, agosto 30

Perturbação lúcida

O sentido da insatisfação. O medo de se ficar a meio do caminho. Reconhecer. Fervilho interiormente, num frémito quase calamitoso; transbordo de plenitude porque encaro cada momento e cada situação como uma dependência de salubridade. Busco a matéria que não existe, o corpo que não exsuda odor. Saber que a perfeição é feérica e lírica. Partir para a conquista que me fará alcançar essa mão invisível. Sorrir a tudo que se fez passado. Viver intensa e imensamente o presente, sabendo como que por magia que o futuro será sempre melhor. É condição. É imperioso. Uma tal insatisfação que só terminará após o último resfolegar.

1 comentário:

Anónimo disse...

Aproveito a ocasião para felicitar-te por este novo trabalho: dez linhas de mim. Notável! (como a maioria dos textos que tenho lido quando visito este blogue (cadernos do azul) Parabéns pela genialidade, pelo gosto,... Já estás lá, no reduzido mas iluminado grupo de mentes ilustres!;)
Gostei particularmente do nome que atribuíste a este pequeno texto “Perturbação lúcida” para te referires a esse bichinho que nos corrói, mas que nos conduz, nos guia, nos impele para seguir…
Na busca de algo. Algo que satisfaça! Algo que preencha!
Numa demanda constante…
Mas esse algo está tão distante, tão longe,... isso impele o ser a continuar incessantemente. Numa procura que não tem fim! (O fim só poderá ser o término de tudo!)

"A insatisfação é a força motriz do mundo. A natureza dota-nos desse gene, perfeitamente integrado no complexo do ego, para que a mudança seja permanente e com ela a realidade se vá renovando continuamente. E assim temos a evolução. Uma evolução em que tudo muda para ficar tudo na mesma." (autor desconhecido)

A inevitável insatisfação do ser…

C.C.